Fé, Pra Quê?

Especialista afirma que o exercício da fé faz bem para a mente e corpo, independente de religião ou crenças.

Estude na Bíblia:

Fé, arrependimento e confissão

Fé é a absoluta certeza de que há verdade em um pressuposto determinado. Neste sentido, fé é uma relação de confiança baseada em amor e afeição.

Ou seja, fé está muito além dos conhecidos verbos crer, confiar ou acreditar. Sobretudo, ultrapassa qualquer religião.

Apesar de o termo fé estar relacionado à religião, sua prática vai muito além disso. É possível que um indivíduo tenha fé num objeto inanimado, num animal, num elemento da natureza, em outro ser humano, em si mesmo, em ideologias e até mesmo em forças sobrenaturais. Neste sentido, a fé pode ser entendida por algumas pessoas como uma ação irracional, pois não leva em consideração a existência de evidências ou comprovações científicas.

O que se sabe é que a fé se manifesta de diversas formas no corpo, na mente e na vida de quem a possui. Sobretudo, os principais reflexos se dão na vida emocional do ser humano. Isso ultrapassa o entendimento científico, mas chama a atenção dos neurocientistas.

No contexto religioso, fé pode significar muitas coisas. Desde a crença num deus ou crença em dogmas religiosos. É a fé que mantém os fiéis envolvidos e motivados em suas crenças e práticas religiosas. Neste ponto, há um consenso de que o termo fé quase sempre remete as pessoas à Deus, o Criador, o Messias, o Jeová, entre outros nomes.

O exercício da fé é o que faz o ser racional estabelecer um relacionamento com outro elemento real ou subjetivo. Essa relação é mantida por uma comunicação conhecida como oração, prece ou reza. Para o indivíduo sustentar essa comunicação e acreditar que sua oração está sendo ouvida, é preciso fé. É por isso que a fé e a oração caminham de mãos dadas.

A oração, como manifestação da fé, é uma prática comum entre cristãos, muçulmanos, católicos, entre outros religiosos. Seus efeitos psicológicos e físicos foram comprovados cientificamente. Saiba mais detalhes no vídeo a seguir:

Entrevista com especialista

Alberto Nery

Professor universitário e psicólogo

Como a fé, e por consequência a oração diária, afeta as sinapses?

Alberto Nery (AN): Este é um tema sobre o qual muitas pesquisas têm sido feitas ultimamente. O neurocientista Andrew Newberg, por exemplo, ao analisar imagens cerebrais de um pastor evangélico durante um momento de oração, notou uma ativação maior das áreas da linguagem e dos lobos frontais. Com isso, concluiu que a oração na tradição judaico-cristã, produz um efeito semelhante ao de conversar com pessoas reais e que ao orar, os religiosos passam por um experiência neurologicamente real. Já o neurocientista Richard Davidson, defende a idéia de que o cérebro humano pode ser moldado através de experiências como a oração e a meditação. Newberg concorda com a visão de Davidson, de que a oração pode funcionar como uma espécie de “exercício de fortalecimento mental” e aponta para aspectos positivos da oração no controle da ansiedade e depressão, desenvolvimento da empatia, e melhora no funcionamento cognitivo e intelectual. Além disso, a oração pode ajudar a amortecer os efeitos do envelhecimento e do stress. Newberg no entanto, faz a ressalva que estes efeitos positivos também podem ser alcançados por pessoas não-religiosas através da meditação, por exemplo.

"A oração na tradição judaico-cristã, produz um efeito semelhante ao de conversar com pessoas reais", diz o psicólogo Alberto Neri.

Como a psicologia entende o comportamento cerebral durante a oração?

AN: A abordagem Psicológica, embora sem ignorar as questões neurológicas, se concentra mais nas questões cognitivas e emocionais. Sendo assim, mais do que apenas as alterações no funcionamento cerebral durante a oração, a Psicologia se atém aos efeitos da oração na vida do indivíduo como um todo. Assim, podemos mencionar, por exemplo, os estudos de Ken Pargament, Harold Koening, Kevin Ladd e Bernand Spilka, que apontam para a oração e outras práticas de natureza religiosa e espiritual como fatores de enfrentamento às dificuldades da vida, bem como de fortalecimento da saúde e melhora na qualidade de vida, e como fonte de um direcionamento para um propósito existencial.

Infográfico: Durante a oração ou meditação o cérebro atua de forma diferente.
Imagem: Henrique Félix

Há estudos que apontam para uma região do cérebro específica para a adoração. Defensores desse ponto de vista concluem que, devido a isso, o homem foi feito para adorar um ser superior. Qual a sua visão sobre o assunto?

AN: Esta idéia popularizou-se principalmente por conta de estudos como os de Matthew Alper, autor de The God part of de Brain, Dean Hamer em The God Gene, e Andrew Newberg em Why God Won’t Go Away. Vale lembrar que em ambos os casos a base teórica é a psicologia evolutiva e a idéia central não é a de que Deus teria criado o cérebro humano com capacidade para relacionar-se com Ele, mas que o cérebro humano teria desenvolvido esta característica, através de mecanismos de adaptação, pois a busca pela transcendência seria uma espécie de vantagem evolutiva. Mesmo assim, no meio científico existe muita desconfiança em relação à estas propostas, e os seus próprios autores são reticentes quanto às suas descobertas. Particularmente, entendo que toda tentativa de se provar cientificamente a existência divina foge a um princípio fundamental, que é a noção de que a melhor forma de se aproximar de Deus é através da fé. Minha crença em Deus não pode depender de uma comprovação científica, seja ela biológica ou de qualquer outra natureza pois nesse caso a fé ficaria em segundo plano. A maior motivação para crer deve estar apoiada nas evidências espirituais, tais como o estudo da Bíblia e no relacionamento pessoal do indivíduo com Deus.

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Você acredita que Satanás existe?

Qual o papel que Deus desempenha no mundo?

Você é a favor do ensino religioso nas escolas?

Você realmente acredita que Deus existe, apesar de não ter uma visão clara sobre o caráter de Deus. Devido à sua educação religiosa e experiência de vida, sua imagem sobre Ele está baseada no temor e na superioridade. Ainda é preciso exercitar o relacionamento amigável com Ele. Quer ajuda? Saiba Mais.

Você não acredita em Deus e tampouco entende a crença do outro nEle. Talvez você não tenha tido uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre Ele ou sobre a lógica de sua existência. Isso também se dá pelo seu comportamento racional. O que acha de saber mais um pouco sobre Deus com base na Bíblia? Saiba Mais.

Você acredita que Deus existe, sobretudo, mantém um relacionamento íntimo com Ele. Sua vida, decisões e relações estão baseadas na fé que tem nEle. De maneira muito equilibrada, você caminha lado a lado com a fé e suas crenças. Aproveitando que você gosta tanto de estar com Ele, saiba mais sobre Deus.

A oração é tida como uma conversa. Porém, é uma conversa em que apenas um fala. Isso nos remete a um divã, onde muitos desabafam. Neste sentido, orar pode ser considerada uma forma de terapia?

AN: Os estudos de Newberg, por exemplo, demonstram que a experiência da oração para um fiel, de maneira alguma pode ser considerada de “mão única”, pois em termos neurológicos e cognitivos e o fiel tem a experiência de receber respostas, ou de ouvir a voz de Deus. Da mesma forma, na psicoterapia, com raras exceções, o diálogo é fator fundamental para o processo de cura e autoconhecimento. Na maioria dos casos o psicólogo não é apenas um ouvinte, mas um interlocutor. Sendo assim, existe uma aproximação entre oração e psicoterapia, não pela ausência de respostas, mas justamente porque em ambos os casos é possível experimentar respostas e chegar a um direcionamento, ou a uma nova maneira de se encarar a vida e suas contingências. Nesse sentido, a comparação entre a prática da oração e a psicoterapia é válida.

Na Bíblia o conceito de fé está muito relacionado a confiança, providência e resiliência. É traduzido como crença e convicção plena naquilo que não se vê (Hebreus 11:1).

Para os católicos, segundo o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, fé e a crença em Deus e em tudo o que Ele diz ou escreveu para o homem. Isto é, a fé é a base para o relacionamento entre criador e criatura, na lógica religiosa construída acima. Quer mais sobre esse assunto na perspectiva bíblica? Saiba Mais.

Por ser uma conversa, muitos esperam um sim imediato de Deus. Essa expectativa, quando não concretizada, gera uma frustração. Como lidar com essa frustração do ponto de vista psicológico?

AN: De fato, a expectativa de uma resposta positiva e imediata para oração existe no imaginário de muitos fiéis. No entanto, uma análise mais profunda do tema oração na Bíblia rechaça esta conclusão. No que diz respeito a uma forma adequada de se lidar com isso, entendo que a melhor abordagem é que os crentes sejam instruídos na teologia da oração, pois assim sua percepção e suas expectativas em relação à mesma, poderão ser colocadas em uma perspectiva correta, evitando assim esta frustração. Acaba sendo uma intervenção de natureza mais intelectual do que psicológica. Isto pode ajudar mesmo no caso de uma pessoa que chega a um consultório, apresentando sentimentos de frustração que partem dessa expectativa irreal em relação à oração.

A fé traz consigo também uma carga de aspectos negativos. Como a fé está atrelada a religiosidade, há também a intolerância. Fiéis de centenas de religiões do mundo confessam que a prática de suas crenças, muitas vezes, gera preconceito e julgamentos. Algumas organizações religiosas lutam para coibir a intolerância, mas o caminho ainda é bem longo.

A fé prática também é um conceito explorado em comunidade, por esse motivo, existem milhares de religiões no mundo. Há muitos anos, pessoas tentam levantar esse número, mas a cada dia surgem novas bandeiras religiosas. Sobretudo, existem oito principais religiões, são elas: cristianismo, islamismo, hinduísmo, budismo, sikhismo, judaísmo, espiritismo e religião tradicional chinesa.

A maior religião de todas é o cristianismo, com quase 2,2 bilhões de adeptos no mundo. O cristianismo tem inúmeras variações e formas de adoração diferenciadas. No ocidente, os cristão são ainda mais populares, isso porque existe a defesa à liberdade religiosa.

A Bíblia é o maior símbolo de fé e, portanto, fala muito sobre o assunto. A leitura interpretativa por ajuda a entender mais sobre o tema na perspectiva divina. Saiba Mais